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sábado, 31 de julho de 2010

Perfeição que nada

Tem aquela coisa universal e comum de imaginar: quem seria a pessoa perfeita para cada um de nós? Claro que todo o trabalho já começa sabendo que essa criatura, tão do nosso jeito, não existe na vida real. E se você ainda acredita que pode encontrá-la por aí e viver a mais linda história de amor, cuidado. Você pode estar com sérios problemas.

Eu tenho a minha imagem de pessoa perfeita, com qualidades específicas e fundamentais, para mim, é claro, e defeitos na medida, escolhidos estrategicamente para que ele não implique com aquilo que tenho em mim que não é tão positivo assim.

Assim como tenho a imagem definida, sempre soube que não ia encontrar essa pessoa por aí e, depois de muitos anos pulando de galho em galho, já sabendo que queria o que não existia, não é que a figura apareceu? 

Chegou assim sem grande alarde, foi se aproximando e hoje está sempre por perto. Mas, calma, nada de se animar e pensar: "olha, se aconteceu com ela, também pode acontecer comigo". Seguindo a regra básica de que isso até pode existir, mas não vai dar certo, a tal pessoa perfeita nunca vai ser qualquer coisa parecida com meu namorado ou algo que o valha.

Tempos errados, momento impreciso e muitas outras coisas no meio do caminho sempre vão impedir que nós dois fiquemos juntos. E são tão evidentes e incontornáveis que só comprovam a teoria da impossibilidade de ter alguém perfeito ao nosso lado.

Mas no mais, nada de novo, né? Vida que segue.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

As 13 vozes da minha vida

Depois de muito tempo afastada volto aqui ao Ritalinas para postar um meme super interessante que o Weiner, do A Grande Arte, e o Robson do Portal Cine me mandaram. Tenho que contar aqui as 13 vozes que marcaram a minha vida. Da primeira vez que pensei no assunto, já vieram logo umas 20 vozes. Depois foram aparecendo outras e mais outras e a tarefa ficou muito mais difícil do que parecia.

Depois de muito tempo analisando, cortando e incluindo, cheguei à seguinte lista:

Frank Sinatra - More

Johnny Hartman - For All We Know

Nat King Cole - Stardust

Caetano Veloso - Sampa

Shakira - Estoy Aquí (versão acústica)

Maria Bethânia - Diamante Verdadeiro

Elis Regina - Atrás da Porta

Milton Nascimento - Cais

Freddie Mercury (Queen) - Love of My Life

Maysa - Demais

Luiz Melodia - Magrelinha

Carole King - It's Too Late


Cássia Eller - Por Enquanto


Muita gente importante ficou de fora, mas esses treze nomes, assim como as músicas, têm um significado todo especial para mim.

Indico o meme para a Bruna, do esse é bom!, a Patty; do Eu e Minhas Versões; a Luma, do Luma Kimura, e a Daniela do Poemas da Strieder.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Vazio do Muito

O estranho é ter tanta coisa pra contar e nunca lembrar de escrever...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Essas crianças

Não tem nada melhor do que conversa de criança para a gente dar boas risadas. Claro que na hora a coisa não é tão engraçada assim, mas depois que o tempo passa, a melhor coisa é compartilhar com os amigos as pérolas dos filhos.

Hoje no trabalho foi dia dessa conversa. Os meninos mais faladores são os campeões de situações e passagens inusitadas. Cada uma mais divertida que a outra. Com aquela saudade da coluna “Criança diz cada uma”, do Pedro Bloch, resolvi dividir as conversas.

Pedrinho estava saindo da natação com a mãe contando todas as aventuras do dia na piscina no que vê um homem tirando a perna mecânica para entrar na piscina. Sem pensar duas vezes, puxa a mãe pelo braço e mostra:
- Olha mãe! Um robô!

Julinho tinha acabado de sair da aula de ginástica olímpica e, como sempre, acompanhava a mãe até o vestiário feminino para pegar a mochila nos armários. Enquanto ela abria a porta, uma outra mulher se aproxima enrolada na toalha.
Sem ligar para o pequenino que estava por perto, a tal senhora abriu a toalha para se enxugar.
Antes de qualquer outra ação, Julinho arregalou os olhos e disse interessado:
- Eita, mãe! O dela é vermelho!
E, para piorar, foi conferir a veracidade do fato com as mãozinhas.

A mãe de Marcinha estava com ela no banheiro. Por algum motivo estava agoniada, quando a menina perguntou, ela respondeu que tinha perdido a prótese dentária que estava usando enquanto tratava dos dentes.
A busca ficava cada vez mais séria e as outras pessoas que entravam no banheiro perguntavam se poderiam ajudar a procurar alguma coisa, mas a mãe, com vergonha, dizia que não era nada.
Lá pela terceira negativa, sem entender muita coisa, a menina resolveu acabar com a agonia da mãe:
- Ah, ela perdeu sim! Um dente!

Paulinha era a rainha da conversa com gente desconhecida. Estava jantando com a mãe e a avó em um restaurante especializado em caldos quando começou um papo muito animado com a mesa de trás.
Depois de um tempo, viu que o homem e a mulher se beijaram e não se segurou:
- Vocês são namorados?
- Somos!
- Mas ela é quase sua mãe!

Zequinha estava matando a saudade da tia que não via há muito tempo. Enquanto os dois estavam abraçados, com toda doçura ele disse:
- Tia, sabe aquele filme que tem uma mulher gordona e o cara “vê ela” bem magrinha?
- Sei sim.
- Você é assim para mim também!

Carlinhos estava morrendo de fome e queria muito tomar logo o seu leitinho de antes de dormir. Com a barriga roncando e o mau-humor aumentando ele pediu pela sétima vez:
- Pai, me dá meu leite!
- Peraí, Carlinhos, tem que esperar ferver.
- Mas eu estou com fome!
- Eu sei, filho, mas tem que esperar ferver.
- Por que?
- Porque é assim que a gente mata os bichinhos do leite
- E eu vou beber isso com um monte de coisa morta dentro?

sábado, 4 de abril de 2009

Presta uma atenção

Julinho era bem observador e de vez em quando dava uma pausa em toda a sua correria e brincadeira para prestar atenção nas coisas do seu cotidiano. Já tinha até desenvolvido um ritual para isso. Tinha uma cara específica e, vez por outra, coçava o queixo como se já fosse adulto e estivesse prestes a descobrir a resposta de todas as perguntas do mundo.

Depois de quase uma hora assim, sentado em uma mesa na praça de alimentação do shopping, ele virou para a mãe que lia uma revista e falou:

- Mãe, acabei de descobrir uma coisa interessante sobre as mulheres.

- É mesmo, filho? E o que foi? - Perguntou a mãe achando graça.

- Antes eu tenho que perguntar uma coisa para você. Assim vou ter mais certeza.

- Pode falar, então.

Ele parou, olhou mais uma duas ou três pessoas passando e disparou:

- Qual é a primeira coisa que você olha em uma mulher?

Apesar de estar esperando a pergunta, a mãe jamais imaginou que seria esta. Com uma cara de quem não está entendendo nada, ela só conseguiu perguntar de volta:

- Como é?

E Julinho, sem entender a dúvida da mãe, completou:

- Ué, mãe! Quando você está andando na rua, no mercado você não cruza com outras pessoas?

- Sim. - Respondeu a mãe entre o constrangimento e o começo da compreensão.

- E não olha para elas?

- Olho.

- Algumas dessas pessoas são mulheres, não são?

- São.

- Então, mãe! Qual é a primeira coisa que você olha quando vê uma mulher.

A mãe de Julinho ainda não tinha captado a essência da pergunta, mas o menino tinha falado de um jeito tão confiante que ela ficou meio tímida de não responder alguma coisa.

- Eu acho que olho para o cabelo.

O menino fez uma cara séria, passou a mão pelo queixo, balançou a cabeça e disse:

- Era o que eu pensava mesmo, então.

A mãe, já curiosa para saber a estranha descoberta, perguntou:

- E o que você descobriu?

- Na verdade, a primeira coisa que uma mulher olha em outra é o sapato. Com certeza! Mas, com o que você disse, elas não gostam de assumir isso.

A mãe deu uma gargalhada e, sem resistir, lascou um beijo na bochecha gordinha de Julhinho.
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